Que me perdoem os poetas, mas nem sempre teremos estrutura emocional para sentir todas as coisas. Quem aguenta trabalhar oito horas por dia, fazer aquela pós-graduação,freelas que patrocinam o cafézinho gourmet, vida social, amorosa, religiosa e uma olhadinha rápida no Insta Stories?
A gente é exposto a milhões de estímulos diários e é impossível reagir a todos eles. O que eu quero dizer com isso tudo é que, muitas vezes, a gente deixa algumas coisas de lado, deixa de se importar com algumas chateações para aguentar firme até o fim do dia.
Quantas vezes você não lotou sua agenda só para despistar um coração partido? Quantas vezes não procurou se dedicar mais ao trabalho pra não pensar "por que ele(a) não responde minha mensagem"? A gente vai fechando os olhos para situações que nos atormentam, só pra ter a falsa sensação de estar em paz.
Mas como nenhuma narrativa vive só de médios, vem a vida e rasga nossas vendas. Olhe! Perceba! Não adianta tapar o sol ou com a peneira, ou com uma cortina blackout. Em algum momento a gente precisa encarar nossos fantasmas, nossos incômodos e decidir o que vamos fazer com aquilo. Aceitar e continuar doendo? Abrir mão e mergulhar no novo?
Por mais que a claridade nos coloque numa zona de total desconforto, a chegada desse momento é implacável. Não dá pra viver pra sempre num comodismo meia boca de quem se adaptou ao escuro: há muita coisa passível de admiração lá fora para você se restringir ao que é prático. Não vale a pena ocupar um lugar só para ele não ficar vazio, quando muitas vezes você nem precisa dele. O que vem depois das vendas no começo pode doer, mas com o tempo ficará lindo.
Se você buscar no dicionário, alguns dos significados de admiração são contemplação e veneração. Um dia li em um livro que precisamos admirar as pessoas com as quais nos relacionamos. Muitas vezes a gente não faz isso: a gente admira escritor, a musa do Instagram e o cantor de MPB - admira um monte de gente com a qual não troca uma palavra, e não com a qual troca afeto todo dia. Mas quando a gente sabe o que é admirar a pessoa que tá do nosso lado, meu amigo, é quase que uma religião.
Eu quero escrever hoje sobre aquela sensação que não dá pra descrever. Sabe quando você admira cada pedacinho da pessoa que você ama? Aliás, sabe quando você constata isso? Rapaz, é coisa de outro mundo. Você tem vontade de se fundir à outra pessoa, vontade de engolir essa mesma pessoa, e guardá-la também sob uma redoma de cristal - tudo ao mesmo tempo. É uma sensação de plenitude, do amor mais puro extravasando por cada poro do seu corpo. É como atingir um Nirvana. É libertador.
É olhar a foto da pessoa e querer estampá-la nos telões da Times Square. É querer engarrafar a fragrância da pessoa e espirrar nos pulsos e pescoço após o banho. É pedir em namoro quem você já namora. É casar novamente nas bodas de um ano e quantas vezes mais der na telha.
Hoje eu espero que você tenha a sorte de admirar quem você ama e tenha essa pessoa ali do seu lado, numa veneração cotidiana. Espero que você desfrute da oportunidade de enchê-la de beijinho - assim, no diminutivo. Espero que você seja como uma fã adolescente que prega cartazes na parede, só que com o amor da sua vida. Espero que você encontre a graça de expandir seu coração a cada momento em que olha aquele(a) que você ama.
Sempre fui de guardar as coisas. Até um tempo, guardava todos os convites de aniversário para os quais era convidada. Era uma caixinha repleta de gente que desejou minha presença em algum momento - gente que demonstrou importância.
Sempre fui também de preservar. As primeiras edições de Harry Potter que eu comprei estão todas plastificadas - quero mostrá-las pra os filhos que eu nem sei se quero ter. Sabe como é: é preciso preservar aquilo que a gente ama.
Mas algumas pessoas não entendem o que isso significa, o que é muito triste.
Acho que todo mundo já teve algum momento na vida em que pensou como o outro poderia simplesmente descartar algo tão importante. É como plantar uma árvore, regá-la todos os dias e, assim que ela estiver grande, vistosa, dando sombra ou frutos, cortá-la. Adeus, árvore. Sei lá por que, mas decidi te jogar fora.
Como eu ressaltei no título, às vezes as pessoas não têm noção daquilo que jogam fora. No mundo de hoje, no qual muita gente trata todo mundo como descartável, perecível ou substituível, as proporções do descarte humano beiram o infinito. Amizades, relacionamentos, dedicação - tudo parece tão fácil de se descartar e encontrar outro igual por aí.
Mas a verdade é que a gente não encontra. Meu amigo, você pode rodar o mundo. Ir do deserto ao oásis. Desculpa te contar, mas você não vai encontrar, nem de longe, outro daquilo que você achou tão fácil quebrar. Outro amigo que faz tudo por você. Outro namorado que aceita cada uma das suas diferenças. Outra pessoa que enfrentou o mundo e mais um pouco para estar do seu lado.
Hoje eu queria pedir pra você valorizar, se já não é tarde demais. Valoriza quem te dá o que o mundo lá fora não consegue suprir em 2%. Valoriza a oportunidade que a vida te deu, colocando alguém tão bom no seu caminho.
Eu realmente muitas vezes não sei a boa ação que eu fiz no passado ou em outra vida para merecer muitos daqueles que estão comigo. Mas se tem uma coisa que eu sei, essa coisa é dar valor. Porque o valor que a gente não deu, outra pessoa pode dar. Mas aquilo que a gente perde ao deixar alguém partir, isso ninguém no mundo é capaz de trazer de volta.
Não importa se ele chegou há um ano ou dois dias: ele é só mais um cara. Não importa o que ele te mandou no Whatsapp, qual presente ele te deu de Natal, se foi uma blusinha da Renner ou um iPhone 7: ele é só mais um cara.
Não importa se ele é rico, pobre, desconhecido ou famoso. Não importa se ele é um ex-BBB, astro de uma banda de rock ou o carinha da sala ao lado: ele é só mais um cara. Não importa o que disse seu trânsito astrológico, o que o guru falou na tv ou o que sua mente insiste em martelar: já sabe, né?
A gente precisa perder essa mania de que a pessoa é única, especial, digna de uma seção só pra ela no Louvre. Só tem uma pessoa única nessa história toda, e ela chama "você". Existem pessoas importantes nas nossas vidas? Existem. Mas o maior amor do mundo deve ser por si mesmo: só assim a gente tá pronto para passar esse amor adiante.
Ele é só mais um cara que não merece lágrima, desespero, posição fetal no quarto escuro ou auto-destruição. Não merece que você ouça aquele álbum triste no repeat o fim de semana inteiro.
Hoje eu peço que você entenda que ele é só mais um cara. Alto, baixo, loiro ou dos olhos claros. Com o carro do ano, o sorriso torto, com o perfume que custa metade do seu salário. Ele é só mais um cara. Mas você, meu bem: você é única. Não deve ser só mais um número, um corpo, um beijo, uma transa. Pega esse valor que você dá para uma pessoa que habita sua vida há semanas e deposita todo em você, que é quem o merece.
Ah. Mas não deixe de sonhar. De viver. De se entregar, lembrando que sempre dá para recomeçar. Mas faz por você!
"Faz o que precisar pra acabar com essa tristeza, mas faz por você, que eu não tô valendo a pena. E você, meu bem, vai valer a vida inteira." (Bruno Fontes)
Quem lê meus textos sabe que eles são um espelho das coisas que eu vivo por aí e, pois bem: certo dia precisei fazer um seminário sobre as leis de Gestalt, que são aplicadas no design. Elas dizem basicamente que, para se entender a parte, é preciso antes compreender o todo. Depois de uma filosofia absurda que só uma garrafa de vinho de sete reais pode proporcionar, eu percebi que era justamente aquilo: a gente precisa antes amar pelo todo.
Se a gente não ama o todo, nossas relações não passam de um vídeo editado somente com aquilo que é conveniente para fazer o outro acreditar em algo. Amar pelo todo é viver sem cortes, aceitando ruídos e desfoques, encarando com bons olhos os erros de gravação.
Amar essa Nadine que aqui escreve é amar também as crises de ansiedade, a mente acelerada e com raciocínio não-linear, o sono descomunal e a urgência de um coração inquieto. Amar o cabelo hidratado religiosamente, a vida profissional estável e a pró-atividade não basta (e nem é amor).
O que eu quero dizer é que não dá pra separar só as características agradáveis do outro e amá-las - mesmo que com todo coração. É fácil demais amar estabilidade emocional, voz calma, corpo nos padrões e mente organizada. Nós somos indivíduos cheios de prós e contras - e vai aparecer muita gente procurando só os prós. Quem pega no colo cada contra seu e decide guardar ao invés de jogar fora: essa pessoa, sim, te ama.
Não deixe ninguém te dizer que o problema são seus contras. Que você é ótima, mas essa sua mente louca estraga tudo. Que daria tudo certo, se não fosse aquilo... Nós nascemos completos e ninguém tem o direito de segregar nossas próprias partes. Esse texto é pra te fazer entender que é preciso amar pelo todo. Mas, principalmente, lembrar que você precisa ser amado(a) por completo, também.
Eu sei que você montou aquela playlist para a nossa próxima viagem - mas não é no meu carro que ela vai tocar. Eu, que sempre gostei das suas playlists, agora preciso montar as minhas próprias (embora a gente saiba que eu fique presa no mesmo álbum por meses e que o Ciano já vai até fazer aniversário).
Mas se ficar presa em um álbum fosse meu único cárcere, a gente até conseguiria dar um jeito, não é?
Juro que implorei a Deus para que fosse você. Rezei com a fé de quem tenta mover a cordilheira dos Andes com a mente, com a determinação de uma ginasta olímpica ao cravar um mortal duplo e a esperança de uma mãe que vê o filho indo embora. Foi aí que percebi que o tudo e o nada são quase a mesma coisa: são dois irmãos que andam lado a lado, se misturam, invertem seus papéis a qualquer momento. Quando você faz tudo e recebe o nada - que explicação melhor eu posso achar?
Um dos meus cantores favoritos disse que "tudo não é nada se o mundo girar". O mundo transladou e eu me vejo aqui, acumulando os meus nadas. Mas ontem eu acordei com aquele texto do Gregório, então acho que tudo bem ter a necessidade de escrever sobre o que não volta mais.
Quando eu paro para pensar em como as coisas são cíclicas, chego a me assustar. Há um ano eu declarei que a gente precisava aprender a dizer tchau - e você sabe que eu digo para os outros o que preciso dizer a mim mesma. Saturno já conseguiu diminuir a distância do seu retorno, antes faltavam sete voltas, agora faltam seis. A distância diminuiu, mas a necessidade de saber dar tchau parece aumentar: porque agora quem vai embora sou eu.
Meu corpo vai embora, mas a alma parece estar presa num delay: não sei ao certo quando ela vai se despedir também. Espero que ela não se atrase tanto, temos muitos universos para desbravar. A gente custa a entender nossa pequenez, mas quando isso acontece, é como se um novo trunfo surgisse na manga: nós somos tão pequenos, porém com tantos universos para desbravar!
Seu passaporte está em mãos? Porque chegou a hora de uma nova jornada.
Já tinha ouvido muito sobre ser necessário amar os defeitos do outro, não as qualidades. Embora ouvisse, não entendia. Como alguém pode gostar de total desorganização ou perfeccionismo extremo? Toc, manias estranhas, linhas assimétricas, comportamentos errados? Como seria possível alguém amar algo tão imperfeito?
Não sei se hoje eu já entendo o porquê, mas sei que aprendi a amar o que parecia tão estranho. E quando você ama tudo isso, voilà: você encontrou a perfeita imperfeição.
"Perfeita imperfeição" foi um termo que eu criei no alto dos meus 20 anos: é aquele amontoado de defeitos do outro que você guardaria numa caixinha, de tanto que os ama. É estranho como tudo de torto no outro se encaixa perfeitamente nas suas próprias linhas tortas - é como se cada passo errado conduzisse ao caminho certo.
Se o meu eu de um ano atrás lesse este texto, possivelmente já teria fechado a janela no primeiro parágrafo. "Que besteira, como alguém pode amar um tique nervoso?". É, hoje eu amo. A gente muda e passa a enxergar tudo com novos olhos - é o poder transformador do amor de fazer com que a gente renasça de tempos em tempos.
Sinta-se contemplado se você já encontrou sua perfeita imperfeição: você encontrou seu lar. Não a deixe escapar, porque vai ser difícil conhecer algo tão perfeito assim. Depois de um tempo, a gente descobre que o perfeito reside no imperfeito, assim como a luz reside nas trevas e a alegria está tão perto da tristeza. E viva nossos defeitos! Viva-os, meu caro. Viva!
Às vezes a gente só repara nos ipês quando eles florescem, não é? Hoje eu resolvi te contar a história de um.
Havia uma árvore bem torta na frente do trabalho, e eu sempre estacionava ao lado dela. Alguns me alertavam que ela poderia um dia cair em cima do meu carro. Será que o seguro cobriria aquilo? Mas eu sempre confiei em suas raízes.
Aquela árvore torta que nem fazia uma boa sombra sinceramente começava a me irritar. Que coisa, aqueles galhos abandonados pelas folhas, deixando o frio ainda mais antipático. Entrei de férias em julho, começando a duvidar das raízes, pensando que aquela árvore inútil poderia nem estar mais lá quando eu voltasse.
Duas semanas de ferias passam voando, você deve imaginar. Mal descansei e já estava de volta. O mesmo tempo que passou voando foi o necessário para que aquela árvore tão sem graça preenchesse um pedaço do céu azul com as suas flores rosas. Quantas flores! Meu presente diário, eu pensava.
É, meu amigo. Floresceu. Assim como algumas coisas, situações, sentimentos, floresceu rapidamente. A natureza conseguiu transformar, em questão de dias, o feio no belo. O triste no feliz. O passado no presente: meu presente diário.
E todos os dias aquela árvore tão rejeitada anteriormente deixava flores no meu pára-brisas, no chão, no meu caminho. Todos os dias eu já a avistava ao longe e meu coração se enchia com a esperança de aquele dia sim, seria bom. Por algumas semanas aquelas flores rosas por todos os lados foram o meu refúgio e a minha alegria. Lindo, né? - eu sempre dizia.
Hoje, enquanto te escrevo, observo a mesma árvore que desfloreceu. Essa palavra nem existe, eu sei - mas as flores se perderam por aí. Morreram. Se dedicaram tanto a colorir várias rotinas e terminaram no chão, amassadas, sem cor. Tem coisa que perde a cor, você bem sabe. Tem coisa que surge do nada, assim como aquelas flores rosas no céu, deslumbra, encanta e perde a cor. Descoloriu.
Nos galhos secos restam algumas flores derradeiras - elas estão lá, agarrando-se ao último resquício de vida. Elas tentam mostrar que ainda há cor, ainda há esperança. A esperança para mim, hoje, parece justamente aquelas flores tão frágeis: pequena, prestes a cair - só falta um vento um pouco mais forte.
Acho que os ipês existem para a gente lembrar que nem tudo são flores, meu amigo. Nem tudo são flores, mas as flores são lindas. A gente sempre espera por elas. Eu não esperava por essas flores quando elas surgiram: a surpresa foi tão boa que foi difícil dizer adeus. Mas as patas-de-vaca são lindas também, e chegou a hora de elas florirem. Talvez seja a vida me mostrando que os ipês são incríveis, mas não são únicos. São belos, mas não eternos. Ano que vem eles voltam e eu volto a dizer: obrigada. Obrigada pelo presente diário.
"Tem destinos que são para se cruzar e outros que, nem cruzando, vão se encontrar", ouvi isso na novela que só me agradava sua fotografia. É irônico como você às vezes está focado só naquilo que lhe interessa e algo toma sua atenção. E joga a verdade na sua cara. E continua andando por aí, como se nada tivesse acontecido.
A mulher da novela usando maquiagem para sua pele parecer mais envelhecida do que realmente é tinha algo importante para me dizer. Acho que ela nem sabia disso. Talvez nem o roteirista soubesse. Mas a atriz que só reproduzia mais uma de suas diversas falas do script me poupou de sabe-se lá quantos meses de terapia para entender tudo isso.
Entender que tem linha que não passa de jeito nenhum pelo mapa da nossa vida. Não adianta: tem coisa que nasceu para não ser.
É como se fossem dois ímãs: você nunca vai conseguir grudar um no outro. Você já tentou fazer isso? Uma força que sai sei lá de onde repele aquelas duas partículas. A gente pode passar o dia inteiro tentando aproxima-los, sem sucesso. Da mesma forma que a gente fica quase uma vida inteira insistindo naquilo que uma força maior decretou com veemência: jamais. Pode esquecer, meu amigo.
Eu consigo até imaginar forças sobrenaturais reunidas numa sala se divertindo ao brincar de destino. Imagino-as colocando duas miniaturas de humanos num tanque de água, separados um do outro por um vidro. Esses ser humanos tentam e tentam e tentam se aproximar, nadam, dão murro em ponta de faca e: não. As forças estão lá, rindo das consequências de suas próprias imposições.
Aceitar que a gente precisa deixar algumas coisas de lado é difícil. É doloroso entender que nossas vontades nem sempre vão ao encontro do percurso das coisas. Tanta coisa já aconteceu e não aconteceu na minha vida - e eu sei que nunca vou entender. Sorte que, se tem algo do qual o mundo é cheio, são de coisas. Coisas para acontecer e nos reinventar. Coisas para nos fazer esquecer daquelas que não aconteceram.
É estranho, né? Mas a verdade é que só uma coisa pode curar outra. Assim como um tempo novo deixa o velho lá para trás. De coisa em coisa a gente vai se construindo, desmoronando e reconstruindo em seguida. Porque tijolo não falta: não deixe seus castelos destroçados para sempre.
Nós decididamente viramos essa "geração que não sabe amar". Não que a gente não ame, mas parece que o sentir é algo que deve ser guardado bem lá no fundo, como se fosse um defeito - algo que a gente não deve mostrar pra ninguém. A gente tem vergonha do que sente. A gente assume que tá falido, que dirigiu bêbado, menos que tá amando. É aquele medo de se sentir idiota, trouxa, bobo.
Mas eu não te culpo, não. Eu mesma já guardei tantos "eu te amo" no bolso, e ainda guardo. Quando desci de rappel, a parte mais difícil foi desprender o corpo da ponte e incliná-lo no ar, paralelo ao chão. Mesmo presa por cabos e cordas, sabendo que estava segura, foi difícil me soltar. Hoje, assumir que você está amando alguém parece justamente isso: soltar seu corpo no ar, onde cada molécula emana medo.
A gente sabe que não vai morrer, que as cordas nos seguram, que não vai ser o fim do mundo: e mesmo assim a gente sente medo. Sente medo de quebrar e nunca mais ser o mesmo. Medo de passar anos por aí, focado na missão de juntar todos os pedaços que alguém fez questão de espalhar. Será que é tão difícil assumir aos quatro ventos que sim, o amor penetrou o coração? Isso é fraqueza? É força? Até agora eu não sei responder.
Hoje eu peço que você solte as amarras e ame. Ame mesmo que seja para quebrar a cara, mas ame. Ame porque a gente cresce e descobre que a pior coisa a se fazer é não fazer nada. Quantas pessoas você já perdeu pelo simples medo? Eu já perdi algumas e continuo perdendo. Enquanto o "perder" está no gerúndio, ainda há algo a ser feito. Mas quando virar particípio, meu caro, o próprio já diz: perdido. Já era.
Eu tô torcendo do lado de cá para que vocês não deixem o medo controlar as situações. Torçam por mim, também. Eu também tô aprendendo, tô errando e tentando me encontrar. Amar não é fácil, verbalizar e trazer para o mundo externo é mais difícil ainda. Mas o "e se" pesa mais que tudo isso. A dúvida é a mais pesada das companheiras. Não deixe o bolso dos "eu te amo" ficar pesando por aí - distribua-os. Tem gente que não, não vai merecer, mas o amor é como uma energia renovável - e você ao menos não pecará pela omissão.
Demonstre seu amor antes que seja tarde. Faça com que ele seja presente e não passado. Não deixe que seu amor seja um peso morto no seu coração - ele merece sair, encantar e te fazer feliz.
Nadine Vieira. 22 anos, publicitária e quase-escritora. Sagitariana com ascendente em Capricórnio e isso explica (quase) tudo. Potterhead, falo sobre melissas, livros, minha rotina e o que der na telha.