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Carta para um inconsequente

FONTE
Oi, tem alguém aí? Será que dessa vez você consegue ao menos me ouvir? 

Não sei se você consegue enxergar quão fundo é o buraco que você está cavando com as próprias mãos - daqui dá pra ver perfeitamente. Como boa nadadora que nada e continua na praia, eu jogo para dentro uma pá de terra, enquanto você manda duas para fora. 

Minha vontade era poder descer e te arrancar daí. 

Eu já vi histórias que começaram parecidas com a sua - todo mundo vê. Do fundo do meu coração, eu espero que você seja a exceção da regra, porque essas histórias nunca terminam bem. É difícil imaginar que um rosto tão lindo como o seu pode um dia ser machucado pelo mal ao qual você se expõe. É difícil imaginar que você pode perder tudo e eu não posso fazer nada.

Eu sempre quis te colocar no colo e cantar (mesmo que desafinadamente) pra você dormir, por mais que eu sempre aparentei ser o mais fraco de nós dois. Queria te deixar a salvo nos meus braços, mas eu entendi que eu não posso. Eu não posso, porque o máximo que a gente pode fazer é assistir às tomadas de decisões alheias. A gente demora pra entender, mas um dia percebe que não consegue fazer ninguém mudar, mesmo com as melhores intenções. 

Como diz uma música muito taxativa, "eu não sei se os teus ouvidos estão prontos pra me ouvir", então eu escrevo. Escrevo e coloco meu amor em cada letra, assim como a gente aposta todas as fichas na rodada que se diz ser a última. Espero que lucros pequenos não me iludam a varar a noite jogando, até perder tudo. Mas por mais que eu perca, a maior perda está fadada a ser sua: tem coisa que ninguém tira de nós, exceto nós mesmos. 

Eu espero que você desperte deste transe que te roubou dos seus sonhos, porque você e eles morrem um pouquinho a cada dia que estão separados. Eu espero que você abra o coração e sinta: ainda há amor no mundo. Ainda há amor aqui - e esse é o maior motivo pra gente seguir acreditando em qualquer coisa.  

Com carinho,

Alguém que ainda acredita em você.

A última carta para você

FONTE
Desculpa por te escrever mais uma carta que eu nunca vou enviar. Mais uma carta que nunca vai chegar. Mas quando o buraco no peito parece cratera, dizer a falta que você faz cria a ilusão que estou tampando-o. Cria a ilusão de que a vida tá sim, bem, tá seguindo, tá acontecendo e se encaminhando, como tudo deve ser. 

Mas a verdade é que eu só não sento no meio-fio e choro o dia inteiro porque, você sabe, eu ainda nem respondi meus e-mails. E o que me impede de surtar é a pesquisa para terminar, os trabalhos para entregar, as oito horas diárias para cumprir e um probleminha ou outro que eu transformo em uma odisseia. 

É, eu transformo a ida ao mecânico em uma odisseia para não me afogar no vazio que você deixou. Eu aumento minha tristeza com a bronca do chefe na proporção 1:1000, tentando preencher meu coração com outra coisa triste que não seja você. Eu esqueço meus óculos, o carro aberto, a luz acesa, a prova para estudar, só para ter de lembrar deles e não de você. Eu transformo um resfriado em doença terminal para ter outros motivos para não sair da cama. Eu escrevo para um endereço fictício só para fingir que tudo isso não é pra você. 

Mas eu prometo: essa é a última. A última carta, a última tristeza, a última desculpa. E também é a primeira: a primeira chance que eu tô me dando para recomeçar. Ser feliz, continuar. Desapegar, sabe? Acho que chegamos no momento no qual o espaço que você ocupa é mais inútil do que o ocupado no guarda roupa pelas roupas que nem servem mais. Precisei abrir as portas dele: afinal, o frio chegou e não dá mais pra usar aquele vestido florido que você adorava.

Foi dada a largada para o seguimento não só da minha vida, mas dos meus próprios conselhos. Todo mundo me considera tão decidida nos papos no coração, tão independente e confiante, então por que não ser assim? Por que não ser quem eu era dois anos atrás? Ainda tô ouvindo aquelas músicas, ainda tô fazendo uns poemas... Mas eu prometo: essa é a última. 

Com carinho,

Alguém que precisa continuar

Uma carta para quem já desistiu do amor

Fonte: We Heart It
Eu sei que há muita gente que abusa da nossa boa vontade, da nossa fé e do nosso coração. Sei que dá vontade de chutar o balde e criar um muro de Berlim dentro de nós mesmos. Mas o que seria das musicas de amor se ninguém as ouvisse? O que seria das histórias de amor se ninguém se identificasse com elas? Das cartas, textos, faixas na sacada e serenatas, o que seria? 

Muita gente que não tem mais coração desanima quem ainda tem. Eu sei, as pessoas falam. Elas julgam. Elas não são felizes. Feliz é quem ainda chora com o Jack morrendo em Titanic e não tem vergonha nenhuma disso. Ser feliz é dar chances a si mesmo. 

O que ninguém te contou é que, quando damos chance a uma pessoa, na verdade, damos chances a nós mesmos. E por que dar chance? Porque nós simplesmente precisamos. Eu sei que você muito provavelmente já olhou para o céu enquanto seu coração pedia por mais uma chance. Vou te contar uma coisa: quem te dá essa chance é você mesmo. 

Tudo o que temos são nossas vidas e o agora: nada mais é nosso. Acho que a graça da vida é aprender a aceitar que tudo é passageiro e encantar-se com isso. Quão incrível é saber que podemos viver infinitas situações? Ame e aproveite esse infinito fugaz. 

O mundo está repleto de maldade e de bondade também: acidentes acontecem em todo e qualquer lugar. Então não deixe de arriscar. Principalmente, não deixe de amar. A não ser que você seja poeta: ouvi dizer que os poetas são os únicos que podem morrer por amor. 

Com carinho, 
Alguém que nunca quer deixar de amar